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Reações Adversas

AINEs no início da gravidez: malformações congênitas (continuação)

(NSAIDs in early pregnancy: congenital malformations (continued))
Prescrire International 2025; 34 (276): 303
Traduzido por Salud y Fármacos, publicado em Boletim Fármacos: Farmacovigilância 2026;3(2)

Em 2024, uma equipe chinesa realizou uma revisão sistemática com meta-análise para avaliar o risco de malformações congênitas decorrentes da exposição intrauterina a um anti-inflamatório não esteroide (AINE) durante o primeiro trimestre da gravidez.

Os 31 estudos de coorte ou de caso-controle selecionados compararam mulheres que receberam um AINE durante o primeiro trimestre da gravidez com gestantes que não receberam um AINE ou um medicamento teratogênico. O risco global de malformações congênitas graves, com um (Overall Risk, OR) de 1,19 (intervalo de confiança de 95% , revelou um risco aumentado de malformações cardíacas (OR 1,20; IC 95% 1,08-1,33), malformações da parede abdominal (OR 1,52; IC 95% 1,26-1,83), defeitos do tubo neural (OR 1,81; IC 95% 1,22-2,68), hipospádia (OR 1,35; IC 95% 1,08-1,69) e malformações múltiplas (OR 1,21; IC 95% 1,02-1,44) [1].

As análises relativas a cada AINE são inconclusivas. No caso do ibuprofeno e do naproxeno, os resultados dos estudos foram heterogêneos e não se mostraram diferentes daqueles observados com os AINEs em geral, uma vez que as metanálises se basearam em estudos publicados entre 1976 e 2016, e o contexto e as doses utilizadas variaram amplamente.

Os resultados relativos ao risco de malformações sérias são inconclusivos. Porém, vários estudos apontaram para um risco maior de malformações da parede abdominal com o uso de aspirina do que sem o uso de AINEs. Não foi demonstrado um aumento do risco de outros tipos de malformações [1].

Na Prática
Não se deve tomar AINEs durante a gravidez. Esta revisão sistemática apresenta limitações importantes, mas vale ressaltar que o uso de AINEs durante o primeiro trimestre da gravidez parece aumentar o risco de aborto espontâneo precoce [2,3]. No segundo e terceiro trimestres, esses medicamentos expõem o feto ao risco de fechamento prematuro do ducto arterioso e de insuficiência pulmonar. Em resumo, os AINEs devem ser evitados desde o início da gravidez e durante todo o seu período.

Referências

  1. Chen X et al. “Pregnancy outcomes and birth defects in offspring following non-steroidal anti- inflammatory drugs exposure during pregnancy: A systematic review and meta-analysis” Reprod Toxicol + suppl. 2024; online: 34 pages.
  2. Prescrire Editorial Staff “Nonsteroidal anti-inflammatory drugs (NSAIDs) at the start of pregnancy: early miscarriages” Prescrire Int 2019; 28 (208): 240-241.
  3. Prescrire Rédaction “AINS et grossesse: troubles cardiopulmonaires et rénaux chez les enfants (suite)” Rev Prescrire 2024; 44 (488): 438-439.
creado el 7 de Mayo de 2026