Uma denúncia do Ministério Público Federal acusa a União, durante o governo de Jair Bolsonaro, de responsabilidade por cerca de 200 mortes associadas a um estudo conduzido durante a pandemia de covid-19 no estado do Amazonas [1].
O experimento irregular testou a proxalutamida, medicamento indicado para câncer de próstata e sem eficácia comprovada contra a covid em cerca de 645 participantes. Com o tratamento experimental aplicado em pacientes em situação de vulnerabilidade, sem o devido respaldo científico ou ético, a ação resultou na mortalidade de cerca de 30% dos envolvidos.
Segundo o MPF [2], a autorização para a pesquisa era restrita a uma clínica do Distrito Federal. Contudo, o ensaio com o medicamento foi conduzido no Amazonas, na rede hospitalar Samel. A irregularidade também se apresenta no aumento no número de participantes em diferentes estados de complicação da doença. As acusações incluem falhas graves no consentimento dos pacientes e possíveis violações de normas sanitárias e de direitos humanos.
Em 2021, houve a divulgação de resultados “promissores”, que contribuíram para a valorização de ações da fabricante da droga, que chegaram a subir mais de 300%. O MPF pede indenização de R$ 85 milhões. O caso se torna emblemático em meio ao contexto de negacionismo em que o Brasil foi inserido pelo clã Bolsonaro durante a pandemia, período marcado pela promoção de tratamentos sem eficácia comprovada e pela resistência a medidas recomendadas pela OMS [1].
Referências