Resumo
Contexto. O risco de câncer aumenta com a idade, mas, historicamente, os participantes de ensaios clínicos oncológicos têm sido mais jovens do que aqueles da população geral com o respectivo tipo de tumor, o que limita nossa compreensão sobre a segurança e a eficácia dos resultados dos ensaios no mundo real. A U.S. Food and Drug Administration (FDA) emitiu orientações em múltiplas ocasiões sobre a inclusão de pessoas idosas em ensaios clínicos. Buscamos avaliar se houve progresso na representatividade de adultos mais velhos em ensaios oncológicos.
Métodos. Para aprovações de medicamentos oncológicos desde 2002, buscamos os ensaios de registro e coletamos dados sobre a idade mediana dos participantes dos estudos. Em seguida, usamos o SEER*Explorer para identificar a idade mediana da população geral com o respectivo tipo de câncer. Avaliamos tendências lineares para verificar se existiam lacunas etárias entre as idades medianas de participantes dos ensaios e do SEER, e analisamos diferenças em períodos de tempo em que orientações foram emitidas.
Resultados. A lacuna etária entre os ensaios de registro e os dados do SEER ao longo de todos os 22 anos foi de 5 anos (62 anos nos ensaios de registro vs. 67 anos no SEER). A lacuna etária diminuiu ao longo do tempo (Beta = −0,22; p = 0,004), mas ainda persiste. Entre 2002 e 2012, a lacuna etária entre ensaios de registro e a população SEER foi de 7 anos (59 vs. 66 anos; p < 0,001); entre 2013 e 2019, foi de 5 anos (62 vs. 67 anos; p < 0,001); e entre 2020 e 2024, a lacuna foi de 4 anos (63 vs. 67 anos; p < 0,001).
Conclusão. Observamos que a lacuna etária entre participantes de ensaios de registro e a população geral com o respectivo tipo de tumor diminuiu ao longo do tempo, mas a lacuna persiste, apesar das orientações emitidas pela FDA. Esforços para incluir participantes mais representativos em ensaios clínicos devem ser intensificados, possivelmente com maior fiscalização por meio da supervisão regulatória.
Conflitos de interesse. Este artigo foi preparado quando o Dr. Prasad era funcionário da University of California, San Francisco, antes de seu vínculo com a U.S. Food and Drug Administration (FDA), e não representa as visões da FDA. V.P. recebe financiamento de pesquisa da Arnold Ventures por meio de uma subvenção concedida à UCSF, e royalties por livros e textos da Johns Hopkins Press, MedPage e Free Press. Declara atuação como consultor para UnitedHealthcare e OptumRX; apresenta os podcasts Plenary Session, VPZD e Sensible Medicine; escreve as newsletters Sensible Medicine, Drug Development Letter e V.P.’s Observations and Thoughts; e mantém o canal no YouTube Vinay Prasad MD MPH, que, em conjunto, geram receita nas plataformas Patreon, YouTube e Substack. A outra autora declara não haver conflitos de interesse.