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Publicidade e Promoção

A promoção da terapia de reposição hormonal banaliza seus riscos

Salud y Fármacos
Boletim Fármacos: Ética, 2026; 4 (3)

Tags: terapia hormonal, riscos da terapia hormonal, promoção enganosa da terapia hormonal

Uma empresa de telessaúde afirma que a terapia hormonal para a menopausa combate as rugas, reduz a névoa mental, ajuda no controle do peso, alivia dores articulares, estimula o crescimento dos cabelos e previne ataques cardíacos. Grupos financiados pela indústria farmacêutica e médicos que utilizam as redes sociais também promovem esse tratamento como forma de melhorar a saúde e o bem-estar. No entanto, Patricia Bencivenga e Adriane Fugh-Berman afirmam que esse tipo de mensagem não é novidade e publicaram um artigo que faz um resgate histórico da forma como as terapias hormonais para a menopausa vêm sendo promovidas ao longo do tempo [1].

O Premarin, um estrogênio, foi amplamente promovido nas décadas de 1950 e 1960 como uma forma de preservar a juventude e a beleza. Era apresentado como um elixir capaz de aliviar não apenas os fogachos, mas também o nervosismo, a fadiga, a depressão e a insônia das mulheres que entravam na meia-idade.

Em meados da década de 1970, após diversos estudos demonstrarem que o estrogênio aumentava o risco de câncer de útero, as vendas das terapias hormonais despencaram. Algum tempo depois, as empresas farmacêuticas passaram a associar uma progestina ao estrogênio para neutralizar seus efeitos carcinogênicos sobre o útero e lançaram uma nova campanha promocional.

As combinações de estrogênio e progestina passaram então a ser promovidas como forma de prevenir doenças relacionadas ao envelhecimento. Com base em estudos observacionais, alegava-se que essas terapias preveniam doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e demência, além de prolongarem a expectativa de vida. Na realidade, o melhor estado de saúde observado não era consequência do uso dos hormônios, mas do fato de que as mulheres que faziam terapia hormonal, em geral, adotavam estilos de vida mais saudáveis.

Durante a década de 1980 e o início da década de 1990, as vendas desses medicamentos cresceram rapidamente. Na década de 1990, a Wyeth tentou obter aprovação para que a terapia hormonal fosse indicada na prevenção de doenças cardiovasculares. A FDA rejeitou o pedido por falta de evidências provenientes de ensaios clínicos randomizados (ECRs). O primeiro ECR realizado em mulheres com doença cardiovascular também não encontrou qualquer benefício.

Posteriormente, foi lançada a Women’s Health Initiative (WHI), financiada pelos National Institutes of Health (NIH), para avaliar o uso dessas terapias em mulheres saudáveis. Mais de 26.000 mulheres, com idades entre 50 e 79 anos (quase um terço delas na faixa dos 50 anos), participaram do estudo. As mulheres que mantinham o útero receberam uma combinação de estrogênio e progestina, enquanto aquelas submetidas à histerectomia receberam apenas estrogênio. Após pouco mais de cinco anos, em 2002, o comitê de monitoramento interrompeu o braço do estudo com estrogênio e progestina porque um limite de risco previamente estabelecido havia sido ultrapassado. Menos de dois anos depois, o estudo com estrogênio isolado também foi interrompido pelo mesmo motivo. Além de provocarem danos, esses tratamentos não reduziram a incidência de doenças cardiovasculares.

Atualmente, as mulheres voltam a ser bombardeadas por mensagens que afirmam que os hormônios melhorarão sua saúde e prolongarão sua vida. Paralelamente, a FDA retirou das advertências desses medicamentos a informação de que poderiam aumentar o risco de câncer de mama, demência e ataques cardíacos.

Algumas atualizações nas informações de risco são justificadas. Os ataques cardíacos ocorrem com maior frequência entre usuárias de terapia hormonal do que entre aquelas que recebem placebo durante os dois primeiros anos de tratamento; entretanto, o acompanhamento de longo prazo da WHI mostrou que, ao longo do tempo, o número total de ataques cardíacos foi semelhante entre os dois grupos. Nas mulheres submetidas à histerectomia, o uso de estrogênio isolado reduziu o risco de câncer de mama. Contudo, também aumentou o risco de acidente vascular cerebral, câncer de ovário e comprometimento cognitivo leve. Já as terapias combinadas de estrogênio e progestina aumentaram o risco de câncer de mama, efeito que se intensificou com o tempo, além de elevarem o risco de demência e de acidente vascular cerebral.

É verdade que a terapia hormonal para a menopausa é eficaz no tratamento dos fogachos e da secura vaginal, e algumas mulheres com sintomas intensos podem considerar que os benefícios compensam os riscos. No entanto, essa avaliação não se aplica à maioria das mulheres que atravessam a transição menopáusica.

Fonte Original

  1. Bencivenga, Patricia; Fugh-Berman, Adriane. The 30-year itch: Hormone promotion is back with a vengeance. Uninformed influencers and physicians peddling products are trivializing the risks of menopausal hormones. Statnews, 8 de enero de 2026. https://www.statnews.com/2026/01/08/hormone-therapy-menopause-history-hype/
creado el 28 de Julio de 2026