Um relatório recente indicou que mais de 74.000 pessoas inscritas em ensaios clínicos sofreram prejuízos devido aos cortes orçamentários do National Institutes of Health. Entre o final de fevereiro e meados de agosto de 2025, a instituição cancelou o financiamento de 383 estudos voltados para câncer, doenças cardiovasculares, transtornos neurológicos e doenças infecciosas como influenza e covid-19.
A significativa redução de recursos interrompeu diversos protocolos de pesquisa e afetou os participantes de diferentes formas. Alguns participantes de protocolos impactados pela falta de financiamento podem ter se inscrito em estudos que nunca chegaram a começar, ou enfrentaram atrasos enquanto as instituições buscavam fontes alternativas de financiamento para dar continuidade às pesquisas em andamento. Outros participantes de ensaios já iniciados perderam o acesso aos tratamentos fornecidos ou receberam dispositivos experimentais que agora não estão sendo monitorados. Outros ainda podem ter participado de ensaios que nunca serão publicados.
A revista JAMA Internal Medicine publicou a análise, que identificou 11.008 estudos ativos no período avaliado e determinou que um em cada trinta perdeu apoio financeiro. Anupam B. Jena, pesquisador da Harvard Medical School, afirmou que os ensaios clínicos sustentam as evidências sobre eficácia e segurança e alertou que a interrupção em massa enfraquece a base científica da prática médica [1].
Heather Pierce, da Association of American Medical Colleges, descreveu o impacto do desfinanciamento dos ensaios como estrutural para o sistema de pesquisa, e Jeremy Berg, ex-dirigente do NIH, alertou sobre a instabilidade financeira que corrói a confiança pública e desencoraja a participação em futuros estudos clínicos [1].
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos defendeu os cortes e afirmou que o NIH está ajustando prioridades em direção a maior rigor científico. A administração de Donald Trump promoveu reduções orçamentárias amplas, e a Suprema Corte dos Estados Unidos facilitou a eliminação de recursos destinados a iniciativas de diversidade, equidade e inclusão [1].
Centenas de cientistas do NIH rejeitaram essas decisões e argumentaram que tais medidas prejudicam a missão institucional e a saúde pública, além de levantarem questionamentos sobre a proteção dos participantes, a obrigação de continuidade do cuidado durante a condução das pesquisas e a responsabilidade institucional frente às intervenções já iniciadas.
As decisões políticas que afetam o orçamento destinado ao desenvolvimento científico modificam a agenda de pesquisa, impactam a geração de conhecimento e podem violar os direitos dos participantes, além de deteriorar a relação entre a sociedade e o sistema biomédico.
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