Salud y Fármacos is an international non-profit organization that promotes access and the appropriate use of pharmaceuticals among the Spanish-speaking population.

Conduta da Indústria

Cúpula do Clima: analisamos o impacto climático da indústria farmacêutica

Salud por Derecho, 12 de noviembre de 2025
https://saludporderecho.org/cumbre-clima-impacto-farmaceuticas-informe/
Traduzido por Salud y Fármacos, publicado em Boletim Fármacos: Ética 2026; 4 (2)

Tags: descarbonização farmacêutica, mudança climática e saúde, indústria farmacêutica emissões, preparação para pandemias, sustentabilidade em saúde, cadeia de suprimentos de medicamentos, pegada de carbono na saúde, políticas climáticas e saúde, inovação tecnológica verde, justiça climática e sanitária

Com a Cúpula do Clima-COP30 em andamento em Belém, onde os países debatem o Plano de Ação de Saúde da OMS, Salud por Derecho publica hoje o relatório “Decarbonizing pharma: A climate-conscious approach to pandemic preparedness” (Descarbonizar a indústria farmacêutica: uma abordagem climática para a preparação para pandemias), que analisa o impacto ambiental da indústria farmacêutica na resposta às pandemias e propõe medidas concretas para reduzir sua pegada de carbono.

O relatório revela que, proporcionalmente às suas receitas, a indústria farmacêutica gera 55% mais emissões de gases de efeito estufa do que a indústria automobilística, tradicionalmente considerada um dos setores mais poluentes. Esse dado reflete a intensidade de emissões do setor, ou seja, a quantidade de CO₂ que libera para cada dólar obtido em receitas. Em conjunto, a produção e o consumo de medicamentos e tecnologias de saúde representam uma grande parte das emissões do setor da saúde, responsável por cerca de 5% das emissões globais de carbono. Grande parte dessa pegada se concentra nas primeiras fases da produção – como a síntese química e o uso de solventes, que representam cerca de 80% das emissões do processo -, assim como nos laboratórios de pesquisa, que podem consumir entre cinco e cem vezes mais energia do que um edifício de escritórios padrão. Soma-se a isso uma cadeia de suprimentos global e fragmentada, onde o transporte internacional multiplica as emissões indiretas.

Durante a pandemia de COVID-19, essa pressão sobre o meio ambiente disparou. A produção e o transporte de vacinas implicaram milhares de voos e toneladas de resíduos plásticos e químicos, enquanto apenas a fabricação de máscaras descartáveis acrescentou mais de 18 milhões de toneladas de dióxido de carbono. O relatório adverte sobre um efeito circular, no qual a crise climática aumenta o risco de novas pandemias e as respostas sanitárias agravam o dano ambiental.

Integrar saúde e sustentabilidade
O Plano de Ação de Saúde de Belém, que a OMS apresentou em 13 de novembro de 2025 durante o “Dia da Saúde”, busca fortalecer sistemas de saúde sustentáveis, promover cadeias de suprimento de baixo carbono e fomentar a inovação tecnológica verde a partir de princípios de equidade e justiça climática.

Essas prioridades coincidem com as recomendações de Salud por Derecho, que também propõe integrar critérios ambientais na contratação pública de medicamentos, reforçar a transparência climática do setor e fomentar a economia circular por meio da reutilização e do reposicionamento de fármacos. A organização também insta a OMS, a União Europeia e o Governo da Espanha a incorporar a sustentabilidade ambiental nas políticas de preparação para pandemias e a reformar a legislação farmacêutica para incluir critérios ecológicos na avaliação, fabricação e compra de medicamentos.

O estudo indica que entre 35% e 40% das emissões do setor poderiam ser reduzidas sem aumentar custos, por meio de energias renováveis, solventes menos poluentes ou processos mais eficientes. Embora a indústria sustente que essas medidas encareceriam os medicamentos, Salud por Derecho lembra que os custos da poluição já são assumidos pela sociedade – por meio da gestão de resíduos e dos impactos das mudanças climáticas -, especialmente nos países de baixa renda. Por isso, adverte que, se o custo da transição ecológica for transferido para o preço final dos fármacos, será necessária maior transparência.

“Não haverá sistemas de saúde sólidos se não abordarmos a pegada climática de quem os abastece”, afirma Jaime Manzano, autor do relatório e pesquisador de Salud por Derecho. “Enquanto a indústria farmacêutica continuar alimentando a crise climática, estaremos enfraquecendo nossa capacidade de resposta diante de futuras pandemias. Descarbonizar esse setor é uma obrigação ética e uma questão de justiça sanitária e climática”.

Essas demandas se enquadram na agenda climática mais ampla impulsionada por Salud por Derecho, que reivindica acelerar a descarbonização e a redução de emissões, manter a meta europeia de pelo menos 90% até 2040, eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis e destinar pelo menos 50% do próximo orçamento europeu à ação climática. A organização também pede apoio aos países de baixa e média renda para fortalecer sistemas de saúde sustentáveis e adaptados às mudanças climáticas.

Referências adicionais:
Neste link é possível ler o resumo executivo em espanhol
https://saludporderecho.org/wp-content/uploads/2025/11/Resumen_ejecutivo_descarbonizacion_SxD.pdf

Neste link é possível ler o relatório completo em inglês
https://saludporderecho.org/wp-content/uploads/2025/11/07042025_DecarbonizingPharma_EN.pdf

creado el 28 de Mayo de 2026