Resumo
Antecedentes e Objetivos. As diretrizes recomendam contra o início rotineiro da administração de baixas doses de aspirina em idosos para a prevenção primária de eventos cardiovasculares ateroscleróticos. Este estudo teve como objetivo estimar os efeitos a longo prazo e pós-ensaio da aspirina em eventos cardiovasculares adversos graves (MACE) e hemorragias graves, utilizando os participantes do ensaio ASPREE para um acompanhamento estendido.
Métodos. Foram analisados dados do período do ensaio (2010-2017) e pós-ensaio (2017-2022). Na inclusão, os participantes apresentavam idade ≥70 anos (≥65 anos para minorias étnicas nos EUA), sem histórico de eventos cardiovasculares, demência ou incapacidade física que comprometesse a independência. A randomização distribuiu os participantes para aspirina em baixa dose diária ou placebo correspondente, durante uma mediana de 4,7 anos.
Resultados. De entre os 19.114 participantes randomizados (9.525 para aspirina e 9.589 para placebo), 15.668 sem MACE durante o ensaio consentiram no acompanhamento prolongado pós-ensaio. Não se observou benefício a longo prazo da randomização para aspirina em MACE durante todo o período (ensaio + pós-ensaio) [HR 1,04; IC 95% 0,94-1,15]. No entanto, no período pós-ensaio (mediana de 4,3 anos), houve maior incidência de MACE nos randomizados para aspirina versus placebo (HR 1,17; IC 95% 1,01-1,36). Ao longo de todo o período, registrou-se maior taxa de hemorragia grave no grupo aspirina comparado ao placebo (HR 1,24; IC 95% 1,10-1,39).
Conclusões. O presente estudo oferece novas evidências sobre MACE a longo prazo e hemorragias após aspirina em idosos inicialmente saudáveis. A ausência de benefício cardiovascular persistente deve orientar decisões clínicas quando se considera seu uso nesse contexto.