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Gestão de Ensaios Clínicos, Metodologia, Custos e Conflitos de Interesse

Os participantes em ensaios clínicos diferem daqueles que utilizarão o medicamento

Salud y Fármacos
Boletim Fármacos: Ensaios Clínicos 2026; 4 (1)

Tags: processo regulatório na Suíça, medicamentos aprovados entre 2012 e 2023 na Suíça, terapias aprovadas na Suíça, ensaios clínicos inclusivos, representação populacional em ensaios clínicos

Um estudo conduzido pela professora Kerstin Vokinger, do Instituto Federal de Tecnologia ETH de Zurique, evidencia uma lacuna estrutural na regulação farmacêutica, com implicações diretas para a saúde pública [1]. Segundo o estudo, os medicamentos frequentemente são aprovados para populações mais amplas e clinicamente mais complexas do que aquelas que participaram dos ensaios clínicos.

O estudo analisou 278 medicamentos aprovados entre 2012 e 2023 por reguladores da Suíça, da União Europeia e dos Estados Unidos, cuja eficácia e segurança foram avaliadas predominantemente em pacientes mais jovens, com melhor condição física e sem comorbidades. Entretanto, na prática clínica usual, esses medicamentos são prescritos sobretudo a pessoas mais velhas, com perfis de saúde mais comprometidos e com comorbidades, ampliando a distância entre a população estudada e a população potencial usuária das terapias aprovadas.

Em particular, o estudo mostrou que, na Suíça, cerca de 15% dos medicamentos foram aprovados para faixas etárias não incluídas nos ensaios clínicos, e alguns fármacos oncológicos foram autorizados para pacientes com condições explicitamente excluídas desses estudos.

Essa discordância limita a capacidade de antecipar benefícios reais e riscos clínicos na população que utilizará os novos medicamentos aprovados, aumentando a incerteza sobre eventos adversos não detectados e respostas terapêuticas inferiores ao esperado. Nas palavras da professora Vokinger: “Esses grupos de pacientes não foram incluídos nos ensaios. Isso dificulta prever a eficácia do medicamento ou seus possíveis efeitos colaterais”.

As autoridades reguladoras reconhecem essa lacuna, mas defendem a necessidade de garantir amplo acesso a medicamentos e, por isso, preferem complementar as aprovações com advertências na rotulagem/bula (ficha técnica) para orientar decisões clínicas.

Ainda assim, a magnitude e a frequência das discrepâncias apontadas pelo estudo destacam uma vulnerabilidade estrutural do sistema regulatório, em prejuízo da segurança dos pacientes, pois a evidência disponível nem sempre reflete a diversidade de quem receberá o tratamento — o que pode comprometer tanto sua efetividade entre os usuários quanto sua segurança em nível populacional.

Diante disso, a Swissmedic e outras agências europeias têm instado a indústria a desenhar ensaios clínicos mais inclusivos, capazes de representar adequadamente a heterogeneidade das populações que receberão tratamento e, assim, fortalecer a base científica que sustenta decisões regulatórias e de saúde pública.

Fonte Original:
Drugs often approved for wider use than tested, says Swiss study. Swissinfo, 20 de julho de 2025. https://www.swissinfo.ch/eng/patient-safety/drugs-often-approved-for-wider-use-than-tested-says-swiss-study/89708635

Referência

  1. Vokinger KN, Serra-Burriel M, Glaus CEG, Welti L, Ross JS, Kesselheim AS. Differences Between Trial Populations and Approved Label Populations of New Drugs in the United States and Europe (2012 to 2023) : A Cross-Sectional Study. Ann Intern Med. 2025 Aug;178(8):1127-1137. doi: 10.7326/ANNALS-24-03242. Epub 2025 Jul 8. PMID: 40623311.
creado el 9 de Febrero de 2026