Um estudo utilizando bases de dados australianas de saúde e seguro-saúde investigou o risco de fratura de quadril em pacientes que utilizam um análogo do ácido gama-aminobutírico (GABA): pregabalina ou gabapentina [1].
Foi estabelecida uma coorte composta por 28.293 pacientes com 50 anos ou mais que foram hospitalizados por fratura de quadril no estado de Victoria entre 2013 e 2018. Desses, 2.946 pacientes haviam sido expostos a um desses dois fármacos, mais frequentemente a pregabalina. Cerca de 60% desses pacientes expostos tinham 80 anos ou mais, e 71% eram mulheres. Cada paciente atuou como seu próprio controle, comparando a exposição à pregabalina ou gabapentina durante os 60 dias anteriores à ocorrência da fratura de quadril com a exposição em um período anterior [1].
Após ajuste para a exposição a outros fármacos psicotrópicos que acarretam risco de quedas (antidepressivos, neurolépticos, benzodiazepínicos e opioides), a exposição à pregabalina ou gabapentina mostrou-se maior no período de 60 dias imediatamente anterior à fratura de quadril do que no período anterior, com uma razão de chances (RC) de fratura de quadril em até 60 dias após a dispensação de gabapentinoides de 1,30 (intervalo de confiança de 95% [IC95%] 1,07-1,57). Esse risco aumentado foi observado em todas as faixas etárias, mas a idade avançada e comprometimento renal pareceram ser fatores de risco adicionais [1].
Como a pregabalina e a gabapentina são eliminadas sem alterações pelos rins, pode-se esperar acúmulo em pacientes com função renal prejudicada. Os efeitos adversos da pregabalina e da gabapentina no sistema nervoso central, particularmente tontura, sonolência, distúrbios de marcha e desequilíbrios, são fatores de risco para quedas e fraturas [2].
Na Prática
Esses dados justificam grande cautela ao considerar a prescrição de pregabalina ou gabapentina para idosos, especialmente se houver comprometimento da função renal ou risco de desidratação, como durante uma onda de calor. É útil alertar os pacientes e seus familiares sobre o risco de efeitos adversos neurológicos que prejudicam o equilíbrio e aumentam o risco de quedas, as quais podem ter consequências prejudiciais e, por vezes, graves.
Referências