Vários progestágenos aumentam o risco de meningioma: ciproterona, clormadinona, nomegestrol, medrogestona, medroxiprogesterona e promegestona [1].
O grupo científico francês Epi-Phare estudou o risco de meningioma associado a dois outros progestágenos amplamente utilizados na França para a anticoncepção oral regular: desogestrel 75 microgramas; e levonorgestrel 30 microgramas (isolado) ou levonorgestrel 50, 100, 125 ou 150 microgramas, combinado com etinilestradiol [2].
Foi realizado um estudo de caso-controle utilizando informações do Sistema Nacional de Dados de Saúde da França (SNDS). As 8.391 mulheres que foram submetidas a cirurgia para tratamento de um meningioma pela primeira vez entre 2020 e 2023, e que não tinham histórico de gravidez nos três anos anteriores, foram definidas como os “casos”. Elas foram comparadas a 83.910 mulheres definidas como “controles”, que tinham a mesma idade e residiam na mesma região geográfica da França, mas que não apresentavam meningioma.
Cada caso foi emparelhado com 10 controles. Entre as mulheres submetidas a cirurgia para meningioma, 3,4% haviam usado 75 microgramas de desogestrel, 1,9% uma combinação de levonorgestrel + etinilestradiol e 0,2% apenas levonorgestrel [2].
A exposição ao levonorgestrel, isoladamente ou em combinação com etinilestradiol, não foi associada ao aumento estatisticamente significativo do risco de meningioma (2). Em contrapartida, observou-se uma taxa maior de meningioma intracraniano tratado cirurgicamente com desogestrel 75 microgramas: razão de chances (RC) 1,25; intervalo de confiança de 95% (IC95) 1,10-1,42. Esse risco tornou-se estatisticamente significativo após 5 anos de uso de desogestrel, com um caso adicional ocorrendo em aproximadamente cada 17.000 mulheres que usaram desogestrel por 5 anos [2].
Os fatores de risco identificados neste estudo foram: idade igual ou superior a 45 anos e exposição, nos 6 anos anteriores, a pelo menos um dos outros progestágenos conhecidos por aumentar o risco de meningioma [2]. Consequentemente, a partir de março de 2025, a Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos e Produtos de Saúde (ANSM) recomendou a realização de uma ressonância magnética cerebral:
Na Prática, o desogestrel passa a integrar a lista de progestágenos que apresentam risco de meningioma. Caso seja diagnosticado um meningioma associado à exposição a progestágenos, o medicamento deve ser suspenso para permitir a estabilização ou mesmo a regressão do tumor, reduzindo assim a probabilidade de necessidade de cirurgia.
Referências