Número de expediente: FDA-2024-D-5850
Emitido por: Centro de Excelência em Oncologia
O objetivo deste guia é fornecer recomendações aos patrocinadores sobre a avaliação da sobrevida global em ensaios clínicos oncológicos randomizados conduzidos para subsidiar a aprovação de comercialização de medicamentos e produtos biológicos, com ênfase na análise da sobrevida global como desfecho de segurança pré-especificado.
Embora o guia trate das situações em que é apropriado considerar a sobrevida global como desfecho primário, ele se concentra principalmente em considerações estatísticas ou de desenho quando a sobrevida global não é o desfecho primário. Além disso, este guia foca a avaliação da sobrevida global em ensaios randomizados.
Nota da SyF: Baixe aqui o rascunho do guia: https://www.fda.gov/media/188274/download
Acesse aqui os princípios propostos de “senso comum” em oncologia que podem orientar sobre ensaios clínicos para pessoas com câncer: https://www.saludyfarmacos.org/boletin-farmacos/boletines/ago202506/50_pr/
Comentário da SyF: Neste rascunho, a FDA propõe que os ensaios clínicos oncológicos priorizem a sobrevida global como desfecho principal quando o contexto clínico permitir; que todos os estudos randomizados avaliem esse desfecho para mensurar adequadamente possíveis danos; e que haja uso limitado de crossover de tratamentos, pela tendência de distorcer os efeitos reais.
A análise que o Dr. Harpreet Singh [1], ex-diretor da Divisão de Oncologia da FDA e diretor médico da Precision for Medicine, fez deste novo rascunho menciona que o planejamento pré-especificado e o seguimento de longo prazo para medir a sobrevida global (SG), mais do que uma mudança de política, é um esclarecimento importante; e destaca a importância de eliminar a prática de interromper o seguimento após atingir o desfecho de sobrevida livre de progressão, pois considera que o acompanhamento é essencial para identificar com precisão qualquer risco de mortalidade associado a novos tratamentos.
Em relação a subgrupos e biomarcadores, o Dr. Singh destaca que a FDA reforça sua intenção de analisar a SG de forma diferenciada, conforme características biológicas relevantes; e explica que, se um fármaco demonstrar benefício apenas em pacientes com um biomarcador específico (e não demonstrar em quem não o expressa), a agência poderia restringir a indicação do tratamento exclusivamente a esse subgrupo [1].
Quanto às implicações do rascunho para o desenho dos ensaios clínicos — especialmente a recomendação de limitar o crossover de pacientes e a randomização desigual — o Dr. Singh alerta que restringir o crossover pode afetar negativamente a inclusão de participantes, porque muitos pacientes se sentem mais motivados a participar se houver a possibilidade de receber o fármaco experimental após a progressão da doença. Na visão dele, seria melhor planejar o crossover de forma prospectiva e modelar seu impacto estatístico em conjunto com a FDA, em vez de eliminá-lo. Isso colocaria o paciente no centro dos ensaios sem comprometer a avaliação da SG [1].
O Dr. John M. Burke, hematologista e oncologista clínico do Rocky Mountain Cancer Center, afirma que as recomendações da FDA são razoáveis do ponto de vista metodológico, mas impõem exigências operacionais que poderiam modificar de forma substancial o desenho de ensaios futuros (por exemplo, pode ser necessário aumentar o tamanho amostral e prolongar o tempo de seguimento), elevando o custo da pesquisa oncológica e reduzindo a viabilidade do recrutamento [2].
Referências: