Una organización internacional sin ánimo de lucro para fomentar el acceso y el uso adecuado de medicamentos entre la población hispano-parlante

Reações Adversas

Pralsetinibe: infecções graves, mesmo sem neutropenia

(Pralsetinib: severe infections, even without neutropenia)
Rev Prescrire 2025; 34 (270): 133
Traduzido por Salud y Fármacos, publicado em Boletim Fármacos: Farmacovigilância 2026;3(1)

Em 2024, a empresa Rigel, responsável pela comercialização de pralsetinibe (Gavreto°) nos Estados Unidos (medicamento não mais autorizado na Europa), divulgou alguns resultados de um ensaio clínico randomizado sobre o risco de infecções graves associadas a esse fármaco [1].O pralsetinibe é um antineoplásico utilizado em determinados casos de câncer de pulmão, atuando como inibidor de múltiplas tirosina quinases, incluindo os receptores RET e VEGF [2].

O ensaio clínico randomizado, não cego, comparou o pralsetinibe ao tratamento padrão em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células metastático com fusão do gene RET [1]. No momento da análise, 212 pacientes haviam iniciado um dos tratamentos. Eventos adversos fatais foram relatados em 14 pacientes (13%) no grupo pralsetinibe (incluindo 5 óbitos por infecção) versus 5 pacientes (4,8%) (sem óbitos por infecção) no grupo controle. Infecções graves ocorreram em 28 pacientes (26%) no grupo pralsetinibe, comparado a 8 pacientes (7,7%) no grupo controle (p = 0,0004). O risco relativo de infecção grave foi de 3,3 (intervalo de confiança de 95% [IC95%]: 1,6–7,1).

Metade das infecções graves ocorreu nos primeiros 66 dias de exposição. A maioria das infecções graves não foi precedida por neutropenia ou linfocitopenia [1]. Aproximadamente 50% das infecções graves foram infecções pulmonares. Infecções oportunistas ocorreram em 7 pacientes, todos do grupo pralsetinibe, particularmente pneumonia por Pneumocystis jirovecii, citomegalovírus ou legionella e candidíase esofágica [1].

Esses riscos são adicionais ao risco já demonstrado de tuberculose extrapulmonar em pacientes tratados com pralsetinibe [3].Na União Europeia, a autorização condicional de comercialização do pralsetinibe foi retirada no final de 2024, a pedido da empresa [4].

NA PRÁTICA O pralsetinibe foi autorizado prematuramente em 2022 com base em um ensaio não comparativo, sem evidências convincentes de eficácia clínica [5]. Foi retirado do mercado no final de 2024, devido ao risco de infecções graves, por vezes fatais. Este é mais um exemplo de como é uma jogada arriscada expor pacientes a um medicamento com base nos dados limitados disponíveis no momento da autorização de comercialização condicional.

Referências

  1. Rigel “Important drug warning. Gavreto° (pralsetinib), new warning and precaution: severe and fatal infection” letter to health professionals 29 October 2024: 3 pages.
  2. Prescrire Rédaction “Anti-RET: selpercatinib et pralsétinib” Interactions Médicamenteuses Prescrire 2025.
  3. Prescrire Editorial Staff “Pralsetinib: extrapulmonary tuberculosis” Prescrire Int 2024; 33 (263): 246.
  4. European Commission “Commission implementing decision of 24.10.2024 withdrawing, at the holder’s request, the conditional marketing authorisation granted by Decision C(2021) 8502(final) for “Gavreto – pralsetinib””: 3 pages.
  5. Prescrire Editorial Staff “Pralsetinib (Gavreto°) in metastatic lung cancer with RET mutation“ Prescrire Int 2023; 32 (246): 70.
creado el 4 de Febrero de 2026