Em 2024, uma revisão sistemática e meta-análise examinou o risco de sintomas de abstinência em pacientes que haviam interrompido recentemente o uso de um antidepressivo. Os estudos selecionados foram ensaios clínicos comparativos e estudos observacionais [1]. Estudos relacionados ao uso de antidepressivos para tratar dor física foram excluídos. Foram incluídos 79 estudos comparativos, dos quais 44 eram ensaios randomizados e 35 estudos observacionais. Eles incluíram um total de 21.002 pacientes, com idade média de 45 anos, dos quais 16.532 haviam interrompido um antidepressivo e 4.470 haviam interrompido um placebo.
A incidência de sintomas de abstinência após a interrupção do antidepressivo foi de cerca de 30%. Nos grupos placebo dos ensaios randomizados, a incidência de sintomas de abstinência foi de aproximadamente 15% (cerca de 1 em cada 6 pacientes).
Entre os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina (IRSN), a maior incidência de sintomas de abstinência foi relatada com o IRSN venlafaxina (Effexor XR° ou outras marcas). A menor incidência foi com a fluoxetina (Prozac° ou outras marcas), o ISRS com a meia-vida mais longa (4 a 6 dias) (1,2).
NA PRÁTICA A alta incidência de sintomas de abstinência com a venlafaxina é mais uma razão para evitar este medicamento. A fluoxetina tem uma meia-vida de eliminação longa, com uma redução lenta das concentrações plasmáticas após a interrupção, o que contribui para um menor risco de sintomas de abstinência. Quando os sintomas de abstinência são acentuados e dificultam a interrupção de um antidepressivo, uma opção é considerar a substituição do medicamento pela fluoxetina e, em seguida, reduzir gradualmente a dose até a interrupção completa (3,4).
Referências