A organização Public Citizen enviou uma carta exigindo que a Pfizer se comprometa a garantir que seus medicamentos permaneçam acessíveis de forma confiável em todos os países, [1], após seu diretor-presidente (CEO), Albert Bourla, declarar a jornalistas que a empresa poderia deixar de fornecer medicamentos à França caso o país [2], e outras nações europeias em situação semelhante, se recusassem a pagar mais pelos medicamentos da Pfizer.
As declarações de Bourla foram uma resposta à política de preços de medicamentos da “nação mais favorecida” (most-favored nation), proposta pelo governo Trump, a qual, segundo a Public Citizen e outras organizações, dificilmente proporcionará uma redução significativa dos altos preços dos medicamentos. [3].
A carta afirma que a “declaração ultrajante” de Bourla “desconsidera de forma leviana o dever da Pfizer para com os pacientes” e solicita que ele retire sua ameaça, comprometendo-se a não suspender o fornecimento de medicamentos nem adiar o lançamento de produtos em outros países.
Os americanos pagam caro demais pelos medicamentos. Mas isso não é culpa nem responsabilidade da França. É sua”, escreveu Peter Maybarduk, diretor do programa de Acesso a Medicamentos da Public Citizen, em carta dirigida a Albert Bourla. “Os americanos não estão indo à falência por causa do tratamento contra o câncer porque os europeus recebem o mesmo tratamento por um preço menor. Eles estão indo à falência para que você possa receber um pacote de remuneração de US$ 24,6 milhões [4], e para que possa enriquecer os acionistas com bilhões de dólares em dividendos e recompras de ações. (…) [5]. A indústria farmacêutica pode vender seus medicamentos aos americanos por preços menores, sem prejudicar as pessoas em outros países e sem comprometer a inovação.”
A carta acrescenta que, caso a Pfizer ou outras empresas farmacêuticas continuem ameaçando restringir o acesso aos medicamentos, “todos os países têm a opção de superar seu monopólio de patente e autorizar versões genéricas de qualquer produto cujo lançamento seja adiado ou que deixe de ser comercializado, por meio do licenciamento compulsório. Nós incentivaremos os países a agir.”
Referências