Sumário executivo
Este relatório, elaborado pelo Centro Ethox da Universidade de Oxford, foi encomendado pela UKHSA com o objetivo de identificar as principais considerações éticas que emergem ao integrar pesquisa às estratégias de resposta a emergências de saúde pública e de oferecer recomendações práticas para futuras ações de preparação, resposta e recuperação. O documento baseia-se em uma revisão rápida da literatura, apoiando-se em trabalhos substanciais prévios nesta área, bem como em contribuições de uma mesa-redonda de especialistas e de revisores externos. Embora grande parte da literatura recente se concentre em surtos de doenças infecciosas, as conclusões gerais também são aplicáveis a outras formas de resposta a emergências.
Argumenta-se que existe uma forte obrigação ética, em situações de emergência, de buscar aprimorar a base de evidências existente para intervenções e reduzir incertezas por meio de pesquisa de alta qualidade, utilizando métodos quantitativos e qualitativos. Essa obrigação aplica-se igualmente a intervenções farmacêuticas e não farmacêuticas, sendo particularmente convincente quando tais intervenções são mandatórias. Outras formas de geração de evidências, incluindo vigilância em saúde pública, avaliação de políticas, modelagem e pesquisa de mercado, também desempenham um papel na resposta a emergências. Contudo, é necessário dedicar atenção cuidadosa à identificação da forma de geração de evidências mais apropriada para o objetivo requerido e a assegurar que essa escolha possa ser eticamente justificada. Embora o contexto desafiador de uma emergência possa exigir que se aja inicialmente com base em evidências parciais e opinião de especialistas, isso reforça a importância de um compromisso contínuo com a geração de evidências e com a manutenção de requisitos éticos fundamentais, incluindo respeito ao bem-estar de participantes ou cidadãos, rigor científico e transparência, qualquer que seja a metodologia selecionada.
Embora possa haver ocasiões em que a pesquisa não seja viável, ao menos de modo temporário, alegações nesse sentido devem ser cuidadosamente escrutinadas, diante dos sérios custos de oportunidade decorrentes de não aprimorar, de forma rigorosa, a base de evidências para a resposta a emergências. De modo crucial, muito pode, e deve, ser feito para apoiar e viabilizar a pesquisa antes da emergência, como parte de uma preparação adequada e com financiamento suficiente. A necessidade correlata de fortalecer sistemas existentes de avaliação da implementação e do impacto de intervenções de políticas já foi reiterada [1].
Responsabilidades que se colocam para formuladores de políticas incluem:
Referência